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8a. Expedição GAIA – Amazônia 2006 PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Sábado, 15 Março 2008 01:43
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O temporal que desabou durante toda noite finalmente cessou e a manhã estava com uma névoa que cobria parte da floresta. Acordamos assim que o dia amanheceu para mais uma etapa no deslocamento pela BR-163 que, este ano, estava destruída pela intensidade das chuvas...(por Marcelo Fuzinato)


No dia anterior o trajeto já não tinha sido fácil. Saímos de Alter do Chão e nos deslocamos por 186 km, sendo 90 km de asfalto e 40 km de terra em estado razoável. O restante estava inundado de atoleiros, tantos que se perdiam à vista. Isto seria apenas uma prévia do que nos esperava no dia seguinte...

Como não conseguimos alcançar o destino planejado, graças à precariedade deste trecho inicial da lendária Transamazônica, fomos obrigados a pernoitar na estrada, em grande estilo sertanejo. Montamos nosso acampamento improvisado em uma comunidade na beira da estrada, embaixo de um galpão de madeira que servia para festas religiosas da comunidade. Lá cozinhamos, ajeitamos nossas redes e barracas e tentamos dormir ao som do temporal que, como dito, não deu trégua.

Pela manhã, fomos gentilmente acordados pelos caminhões que dividiram acampamento conosco no pequeno vilarejo. Caminhoneiros esquentando os motores significa que a partida deles está próxima e que a nossa precisa estar mais próxima ainda! A nossa adrenalina já estava a mil para o comboio sair antes deles, pois, na Amazônia, estar à frente de caminhões nos atoleiros representa o ganho de horas nas negociações – pois existe uma “fila” a ser respeitada para transpor alguns atoleiros e a gente sempre tentava (com êxito!) passar na frente dos caminhões - e agilidade em nosso deslocamento.



Saindo da comunidade encontramos já nos primeiros 5 km um enorme desvio com caminhões já enroscados. Felizmente passamos fácil pelos obstáculos, sem saber que o bixo ia pegar mesmo a alguns quilômetros dali.

As notícias que tínhamos era que uma filinha básica de 60 caminhões estava no sentido contrário aguardando para atravessar o tal atoleiro. Haja negociação...

Para quem nunca foi à Amazônia fica difícil imaginar como uma estrada pode mudar tanto em tão pouco tempo. Em questão de horas, por conta das chuvas, o que era ruim fica pior, e o que era pior fica pior ainda, instransponível. Ou, melhor dizendo, quase intransponível.

Esse local à beira de um rio tinha, no mínimo, 3 km ininterruptos de lama, muita, muita lama, uma verdadeira visão do inferno. Imaginem um inferno que, em vez de fogo, tem lama por todos os lados! Mesmo assim, nosso grupo composto por nove valentes veículos foi vencendo cada metro do atoleiro até sermos, ao final, vencidos por uma subida gigantesca com um grande facão (ou camaleão como eles chama por lá) formado pela bitola dos caminhões. Esse trecho amigo estava logo depois de uma ponte que, por sorte, estava em estado razoável.

Aliás, se o rio sobre o qual passa esta ponte, que estava muito além dos seus limites, subisse um pouco mais, levaria a ponte embora e chegaríamos, involuntariamente, ao final da viagem. Ficaríamos ilhados na parte norte da estrada sem acesso nenhum à rodovia Transamazônica, nosso objetivo desse dia. Claro que esta previsão pessimista, mas totalmente realista, estava nos planos e as incertezas fazem parte de uma viagem como esta.



Trabalhamos por horas nesse local tentando nos deslocar por míseros 100 metros. Encontramos até uma L-200 e uma S-10 que não pertenciam ao comboio e acabaram atrapalhando nossa vida, pois esses carros quando não estão adequadamente equipados não têm a menor condição de trafegar em uma estrada como aquela.

Nossas energias físicas estavam se esgotando devido ao trabalho duro e ao calor típico da região, na casa dos 40º. Nossas convidadas indesejadas estavam sucumbindo: a L-200 já havia explodido o motor e a S-10 com dezenas de problemas mecânicos. Nossos bravos veículos, apesar de tudo, continuavam intactos.

Por fim, fomos salvos por um trator 4x4 conhecido na Amazônia como “Jirico”. Fizemos trenzinhos com dois ou três jipes e o trator nos levava fora desse atoleiro dimensões dantescas. Conseguimos, assim, vencer mais esse local e deixar para trás os dois carros fora do comboio que seriam rebocados até Rurópolis, a 20 quilômetros dali.

A partir desse ponto seguimos por mais alguns trechos razoavelmente tranqüilos até chegarmos no último atoleiro antes de Rurópolis, onde o exército brasileiro “melhorava” a estrada com dois tratores de esteira e mais um Jirico. Ficamos cerca de 3 horas ou mais esperando a liberação da pista. No comecinho da noite concluímos a travessia, mais uma vez com a ajuda do trator-salvador, pois os jipes, por mais equipados que estavam, não tinham condição de atravessar aquela subida enorme com terra solta e remexida pelas máquinas. Depois seguimos sem problemas até a pequena cidade de Rurópolis, no entrocamento da BR-163 norte com a Transamazônica, onde pudemos ter uma noite tranqüila de descanso.



Esse relato serve como pano de fundo para a aventura que foi a 8a. Expedição Gaia Amazônia 2006 que teve seu início na cidade de Rio Verde, no Mato Grosso do Sul e percorreu cruzando três estados (MS, MT, RO) até atingir a capital rondonense, Porto Velho, onde o grupo inteiro se reuniu para dar a partida. Estávamos em nove veículos (duas L-200 Savana, uma L-200 GLS, uma L-200R preparada para andar nas ruas, dois jipes Toyota Bandeirante, dois jipes Troller e um Toyota Bandeirante Cabine Dupla) em um total de 15 pessoas, que se juntaram para percorrer os 2200 km da rodovia Transamazônica (BR-230) durante o final do inverno amazônico, em um ano de muitas chuvas e dezenas de cidades alagadas.

Partimos de Porto Velho até Humaitá, porta de entrada da rodovia. Adiante seguimos sentido leste pela Transamazônica e já pudemos sentir que os estragos esse ano nas estradas eram enormes. Os atoleiros eram vencidos a cada km e as pontes precárias vencidas uma a uma. Nesse trecho passamos pelos municípios de Apuí e Jacareacanga até atingir a cidade de Itaituba, na beira do Rio Tapajós. No trecho entre Humaitá e Apuí tivemos a ajuda de um amigo nosso morador da região, o Marquinhos, que teve um papel fundamental como profundo conhecedor da região, dos atoleiros e das pessoas locais que cruzavam com a gente na estrada.



A partir de Itaituba uma parte do grupo seguiu na balsa com os carros e outra parte seguiu nos barcos de passageiro. Foram quase 300 km percorridos no Rio Tapajós até a cidade de Santarém, já no norte do estado do Pará, às margens do Rio Amazonas. Aliás, é exatamente nesse local que o Rio Tapajós deságua no Rio Amazonas. De Santarém o grupo seguiu para Alter do Chão onde pode passar alguns dias descansando nas margens do Tapajós, curtindo esse lugar especial de indescritível beleza.

Em seguida, a expedição começava a retornar, o que não significa final de viagem, e sim a continuação de muitas aventuras pela BR-163 e Rodovia Transamazônica como tratamos no início da matéria.

A Transamazônica esse ano estava com um gostinho bastante especial devido ao volume das chuvas. Além de terem chegado atrasadas esse ano, as águas despencaram com uma força incrível, deixando dezenas de cidades em estado de calamidade pública e vários municípios isolados.

“A Defesa Civil divulgou na tarde desta segunda-feira (24/4) mais um relatório parcial sobre a situação dos municípios atingidos pelas cheias. Já são 3.792 famílias desalojadas e 1.265 famílias desabrigadas. Foram registradas 7 mortes. Ao todo, são 18 municípios em situação de emergência: Tucumã, Anapú, Rondon do Pará, Porto de Moz, Almeirim, Itaituba, Prainha, Parauapebas, Água Azul do Norte, Eldorado do Carajás, Óbidos, Marabá, Tucuruí, Novo Progresso, Altamira, Monte Alegre, Anajás e Santarém.” – fonte Jornal O Liberal (Belém-Pará)

Deixamos a cidade de Rurópolis seguindo sentido leste passando pelas cidades de Uruará, Placas e Medicilandia. As cidades na beira da rodovia parecem aquelas de filmes de faroeste, ou seja, baixíssima densidade demográfica. Apesar disso, até que ofereciam uma estrutura adequada para passar a noite e fazer uma refeição decente.

Em todos esses deslocamentos tivemos alguns atoleiros e trechos cascalhados. Depois de Medicilandia, em direção a Altamira, enfrentamos atoleiros com caminhões bloqueando as estradas. Coisas da Amazônia! Mas tudo vai sendo resolvido. Os jipes e seus pilotos encararam atoleiros respeitados com muita bravura e competência, conseguindo alcançar o município de Altamira em tempo para fazer uma manutenção nos carros. Depois de tanto “perereco”, como costumamos falar, estavam todos precisando de alguns ajustes para que a viagem pudesse ser concluída com segurança. Teve até gente que levou o carro pra lavar... De todo modo, o nosso mecânico de plantão, o Chimbica, que nos acompanhou toda a viagem estava de olho nos problemas que os carros apresentavam durante o percurso.



Após a diária em Altarmira aproveitamos para descansar a beira do Rio Xingu. O nível do rio mostrava que a chuvarada esse ano não estava sendo fácil. Fomos até a balsa do Rio Xingu em uma estrada muito boa, que só serviu para “animar” o pessoal, passando uma falsa imagem do que viria mais adiante. Logo depois os atoleiros voltaram com força total e tivemos muita dificuldade para percorrer um trecho de apenas 30 km, conhecido como “Goianinho”, onde máquinas trabalhavam para ajudar os caminhões a superar os obstáculos.

Chegamos em Novo Repartimento para nosso último pernoite na rodovia Transamazônica. Rumamos, em seguida, em direção a Marabá e as condições da estrada, apesar do asfalto, não estavam melhores. Levamos 6 longas horas para percorrer 150 km até o início do asfalto. Apesar do cansaço, houve muita comemoração neste dia após termos todos cumprido o percurso da Rodovia Transamazônica, graças à união, ao companheirismo, cumplicidade e otimismo que foram as chaves do sucesso de uma empreitada como essa. A viagem ficou e ficará marcada na memória de todos que vivenciaram essa aventura para sempre.



De Marabá, o grupo seguiu sentido sul por estradas asfaltadas e tranqüilas do Tocantins, Goiás, Minas Gerais e, enfim, o retorno aos nossos lares no estado de São Paulo.

Para nós a satisfação de ter proporcionado uma viagem como essa a todos os participantes é incrível e ficamos extremamente felizes com o resultado, os companheiros e amizade que se formou com esse grupo.


A todos os participantes nosso muito obrigado.

Marcelo Fuzinato


Click para ver o álbum fotográfico (espectacular) do Amazónia 2006



(14) 3653-2736 - Brotas - SP
S 22°16.82' W 048°07.59'

Os comentários

Esta é uma forma possivel de fazer férias diferentes, fora dos tradicionaias "pacotes" turísticos! E o Marcelo Fuzinato, da GAIA Expediçôes, poderá ser um excelente contacto:

(14) 3653-2736 - Brotas - SP S 22°16.82' W 048°07.59'
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Álvaro Oliveira
23/06/06 22:30:34
A viagem terá sido extenuante, em algumas ocasiões, mas compensatória. Por outro lado, talvez o estado daquelas "estradas" nos leve a pensar se lá deviam estar, se aquela selva amazónica devia ser esventrada por estradas. Chamam-lhe progresso …..

Curioso, não se vê nas imagens nenhum " carrinho inglês" :- ))
24/06/06 22:14:48
Os "Carrinhos Ingleses" deviam estar todos ocupados...e teria sido menos extenuante se tivessem sido levados num desses "carrinhos"... :))
26/06/06 12:03:36
Olá, boa tarde!
Talvez o estado dessas "estradas" seja uma consequência da reacção (ía escrevendo vingança) da Selva e da Mãe Natureza !!! Mas a verdade é que se há povoações há pessoas, se há pessoas há necessidades, umas básicas outras nem tanto, mas de qualquer forma necessidades que é conveniente suprir...

Mas dá que pensar, lá isso dá...

Jorge Cruz
Matosinhos

PS:por falar em carrinhos, os troller estão lá, pareceu-me, e...!
27/06/06 16:09:14
e a melhor aventura k encontrei neste sait parabens atodos aventureiro da gaia estol me preparando para faser esta aventura logo apos o carnaval saindo de casimiro de abreu rj indo ate rio branco ac e voltar a porto velho e pegar a tras amazonica ate o para voltando al rio de janeiro vamos em duas camioneta 4/4 com 6 aventureiro de primeira viagem espero encontrar um dia com voceis um abraço e ate la
15/01/08 20:33:11
estol entrando oltra veis nesta pagina para enfomar que ja fisemos a tras amazonica comfome relatei na veis anterior entramos no umaita ate o maraba sainos de casimiro de abreu rj pasamos por minas geras goias mato groso rondonia acre voltamos aporto velho toda a br 230 saimos no para maranao piaui pernanbuco baia espiritusanto rio de janeiro percrremos 13 estado num total de 11000 km encotramos varios adesivos da espedisao gaia nos hoteis e restalrantes foi uma otima viagem grasas a deus sem nhenhum incidente estvamos em 2 camionetas 4/4 sendo uma toiota ano 2000 e uma frantie 2007 famos 6 pesoas sendo 3 irmaos e 3sobrinhos se qiser entrar en contato sera um praser muito grande um abraco a todos do gaia
13/03/08 23:02:57

©TTVerde.PT - Editado pela 1ª vez a 23/06/2006, em www.Aventura.TTVerde.PT
© TTVerde.PT -  Editado pela 1ª vez a 23/06/2066

Actualizado em Segunda, 06 Setembro 2010 10:55
 

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